enquanto palavras de "deus" são proferidas ao longe na igreja em frente a minha sacada, eu bebo todos os restos olhando para a cruz vermelha de neon. Parece um axé de Jesus. É bem ruim. Jesus é bom por ouvir isso e não jogar raios fulminantes. Zeus jogaria.
Me declarei pra ti. Eu disse: depois de 5 anos estou apaixonada.
Teu silêncio me fez estar aqui. Ouvindo e vendo embaçado. Fumando e adormecendo o corpo. Eu quero vomitar cada gota de você misturada com o resto do meu almoço que nem estava tão bom
sábado, 21 de março de 2015
domingo, 8 de março de 2015
M.M
se eu dissesse que não sinto falta, mais uma mentira seria. O que me afastou foi seu estranho hábito de achar que eu estava à sua disposição como uma fonte inesgotável de carinho. Mas, sem reciprocidade, quase tudo se extingue.Tem também o seu olhar que parecia utilizar uma lupa de aumento para aquilo que eu não sou. Principalmente: jovem. E, me perdoe, eu não quero ser jovem. Eu já fui e isso realmente não me interessa. E, a propósito: fui uma jovem profundamente infeliz a maior parte do tempo.
Quero ser eu em uma versão que cumpre tudo aquilo que se promete fazer para si mesma.
Mas, voltando a nostalgia: posso dizer que aquilo que me dá mais saudade são as suas tatuagens dançando no meu corpo. Eu encostava a mão onde era rabiscado e sentia sua pele mais lisa e tépida. E tinha também aquele aroma de aconchego...
As tatuagens agitavam-se doidas saindo do seu corpo e entrando no meu como demônios me possuindo o coração. Suas mãos que tanto fazem, nem eram belas como prezo, mas, eram as mãos que eu queria até hoje entrelaçadas na minha (despretensiosamente) durante qualquer passeio.
Mas, você quer todas e me trata tão mal...eu não te culpo e nem ataco o seu poliamor. Sabemos que mereço ser muito bem tratada e no mais: dentro de mim tem tantas que você podia amar...
Desejo, de verdade, que outras honrem seu corpo como um dia eu honrei.
Quero ser eu em uma versão que cumpre tudo aquilo que se promete fazer para si mesma.
Mas, voltando a nostalgia: posso dizer que aquilo que me dá mais saudade são as suas tatuagens dançando no meu corpo. Eu encostava a mão onde era rabiscado e sentia sua pele mais lisa e tépida. E tinha também aquele aroma de aconchego...
As tatuagens agitavam-se doidas saindo do seu corpo e entrando no meu como demônios me possuindo o coração. Suas mãos que tanto fazem, nem eram belas como prezo, mas, eram as mãos que eu queria até hoje entrelaçadas na minha (despretensiosamente) durante qualquer passeio.
Mas, você quer todas e me trata tão mal...eu não te culpo e nem ataco o seu poliamor. Sabemos que mereço ser muito bem tratada e no mais: dentro de mim tem tantas que você podia amar...
Desejo, de verdade, que outras honrem seu corpo como um dia eu honrei.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
se eu fosse escritora
- talvez eu tivesse que seguir protocolos e assuntos específicos que o métier exige e que me deixariam mais atrativa e cool;
- ia ter que passar pela angústia de ter que ser lida e apreciada;
- eu teria que enfrentar os estetas, os críticos e os adestradores de palavras que realmente "sabem escrever";
- não ia poder usufruir o "saber e o sabor" das palavras e nem inventar vocábulos mequetrefes que causassem constrangimento ao próprio Guimarães Rosa;
- jamais poderia me equivocar indiscriminadamente;
E é por isso que eu escrevo o meu diarínho, cheio de erros de concordância. Porque em mim, quase nada concorda. E porque não terei filhos que se lembrem de meus feitos "heróicos".
Sou uma reles observadora umbiguista. Aceite ou não.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
menarca
estava brincando na rua e já vinha sentindo muita dor no ventre. Fatídicos 12 anos. O sangue veio no xixi entre uma parada e outra. A tinta espalhou-se feito aquarela no vaso e com ela, uma dor lancinante. Pareciam agulhas abrindo sistematicamente uma ferida no meu útero. Uma ferida que nunca mais ia sarar.
Minha mãe me obrigou a usar uma saia que eu odiava. Era branca com rosas minúsculas em tom rosa bebê e sobre a calcinha, um absorvente que mais parecia um tijolo macio.
Meu modo de andar denunciava o novo estado: uma-garota-mutante-mulher-sofredora.
Seria aquela sensação dolorosa e desfavorável, a transformação em mulher que eu tanto tinha almejado? Era só nisso que eu pensava. Além de ter que depilar os pelos com cera quente feito a lava dos infernos profundos.
A dor não parava com nenhum remédio. Eu só queria morrer.
Ficou cravado: teria que sentir aquilo todos os meses da minha vida a partir daquele instante.
Minha mãe me obrigou a usar uma saia que eu odiava. Era branca com rosas minúsculas em tom rosa bebê e sobre a calcinha, um absorvente que mais parecia um tijolo macio.
Meu modo de andar denunciava o novo estado: uma-garota-mutante-mulher-sofredora.
Seria aquela sensação dolorosa e desfavorável, a transformação em mulher que eu tanto tinha almejado? Era só nisso que eu pensava. Além de ter que depilar os pelos com cera quente feito a lava dos infernos profundos.
A dor não parava com nenhum remédio. Eu só queria morrer.
Ficou cravado: teria que sentir aquilo todos os meses da minha vida a partir daquele instante.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
armadilha
no meio da faxina congelei admirando a teia. Não pude desfazê-la de pronto. Tornou-se mais urgente admirá-la: petrificada. Olhando cuidadosamente pude verificar um inseto minúsculo. Era possível imaginar sua luta durante horas tentando desprender-se. Seu corpo movimentando-se delicadamente e morrendo no balanço do material flexível...
É como me sinto: um minúsculo animal preso em uma teia invisível. A diferença é que eu também sou a aranha.
É como me sinto: um minúsculo animal preso em uma teia invisível. A diferença é que eu também sou a aranha.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Filtro miocardinal
da plateia eu te vejo tentando espalhar a base com fator de proteção 60. Dá pra ver as lágrimas empoçadas embaixo dos olhos e a tentativa de embargar a saída. É em vão. Deixando ir existem mais chances de que tudo isso parado não apodreça dentro de ti. Deixando ir talvez você possa sentir o que os iluminados sentem. Deixando ir talvez passe essa azia. O coração quer cometer novos erros. Deixa ele seguir em frente. Só isso.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
adeus menina
quando eu tinha doze, minha mãe me alertava: "menina, se economize, pra não enjoarem da sua cara". Daí eu acreditei. Levei como mantra. Virou uma crença. Informação grudada no osso. Quando eu cresci, tomei banho com bucha de aço. Raspei com faca de pão. Rasurei com unhas afiadas. Nada deu jeito. Nem auto-hipnotize. Resolvi ficar em silêncio. Eu sei que meu corpo vai falar e arrumar um jeito de esquecer esse engôdo. E daí, quem sabe, essa impressão estranha de que tem alguém me estrangulando passe. Daí, quem sabe esse saco de pedras que eu carrego fure e todas elas saiam rolando pra nunca mais.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
para Oxum
vou banhar-me de dourado
intentando encharcar-me
com a doçura de teu amor transparente
a purpurina entranhada será uma armadura
será feito ímã que atrai só a verdade
iluminada com a certeza de que errar é patrimônio universal
nenhum crivo faz sentido quando a reflexão é certeira
O sol cegará qualquer julgamento que me coloque em lugar de superioridade
Beija-me com tua confiança, abraça-me com tua beleza,
guia-me com tua humildade
também sou tua
intentando encharcar-me
com a doçura de teu amor transparente
a purpurina entranhada será uma armadura
será feito ímã que atrai só a verdade
iluminada com a certeza de que errar é patrimônio universal
nenhum crivo faz sentido quando a reflexão é certeira
O sol cegará qualquer julgamento que me coloque em lugar de superioridade
Beija-me com tua confiança, abraça-me com tua beleza,
guia-me com tua humildade
também sou tua
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
...
sonhei que você vinha me buscar de carro e quando eu descia você me olhava forte. Me beijava minuciosamente com a intenção de alcançar todos as células da minha boca. Em silêncio, apontava a porta do carro. Eu andava e obedecia. Você entrava, colocava o cinto, acendia o malboro "light" de costume me olhando com deferência. Ligava o carro resoluto como se soubesse para onde ir. Parava em um lugar lotado. Abria a porta do carro, me puxava pela mão, estudava o local mais tumultuado e me beijava como se o beijo fosse uma atração ensaiada para uma plateia bem pouco relevante. Terminado o beijo, você puxava a minha mão e tudo recomeçava num eterno lopping. Foi nesse ponto que entendi que estava num sonho. Chamam isso de sonho lúcido. Nesse caso eu chamo de sonho ilusório porque sabemos que decisão não é seu forte. Pena. Me lembrarei do teu nome daqui a um ano?!
sábado, 31 de janeiro de 2015
somnus
das 4 às 6 foi assim: chamado de bem-te-vi, cama em chamas e buraco na barriga que vazava e dava pra ver do outro lado. Das 4 às 6 eu desejei conhecer Berlim, tomar um café colombiano, nadar numa piscina aquecida e solitária, ter meus cabelos penteados por mãos dóceis, ter minha insônia velada. Das 4 às 6 eu quis você escalando minha janela bêbado e vulnerável gritando:"eu fui burro deixa eu entrar?". Das 4 às 6 a eternidade virou um cisco e eu voltei a dormir como um peixe nadando numa poça quase seca. Das 4 às 6.
sábado, 6 de dezembro de 2014
Pescaria
depois daquele dia, me perguntei quem é você quando está só. Devo confessar que desejei estar perto pra te olhar sem ser vista (evidentemente). De uma certa maneira, isso já acontece: quando estou com você, tenho a impressão de que não sou vista e que você está sempre esperando que algo mais interessante ocorra nas redondezas para poder sair correndo sem que te julguem um canalha.
Seu rosto transparece uma espera. Parece-me que você quer que eu lhe mostre alguma habilidade genial escondida nos recônditos do meu bolso, tais como tocar gaita de fole, ou colecionar olhos de vidro, quem sabe ser designer de jóias feitas com dentes de tubarão que eu mate com as próprias mãos e até adestradora de joaninhas. Quem sabe algo que justifique a sua presença efêmera e "ilustre"ao meu lado, uma "reles" mulher normal. De uma certa maneira, eu não ligo. Desde a minha adolescência não perco o meu tempo tentando convencer ninguém de que sou interessante. Mas, por outro lado, fico refletindo se esse combinado entre nós não assemelha-se aos contratos leoninos escritos em letras minúsculas, onde só um dos proponentes é contemplado e não há equanimidade.
Suspeito que minha "invisibilidade"ocorra pelo fato de eu não oferecer nenhum tipo de status agregado. Não alimentar seu ego e seus jogos de retroalimentação. Não representar a musa que seduz seus amigos e todos à volta. Não ser uma princesa delicada nos modos e doce nos gestos.
Eu represento o inesperado. Você não sabe como lidar comigo. E não estou me gabando. Estou constatando.
Seu discurso reforça que você prefere ser refém do mesmo jogo que está habituado. Talvez ele seja assim: conquistar a musa do pedestal, disputar poder com ela, disputá-la com outros, amá-la e perdê-la para outro que às vezes pode ser um amigo.
Quando sabemos o caminho das nossas ações basta reproduzí-las, não é necessário refletir se são genuínas.
No entanto, meu corpo quis ter outras tardes como as daquele dia. Porque o corpo sabe quando o toque é honesto e a experiência é válida. Mas, minha cabeça insiste que não devo estar onde não sou tratada como uma mulher de infinitas possibilidades.
O que nos valoriza é nossa subjetividade, e isso só quem não tem preguiça terá acesso.
Penso que a palavra conhecer pede a presença de outros verbos: arriscar, abrir, observar, tocar, olhar,
cutucar, admirar...andam lado a lado.
Seu rosto transparece uma espera. Parece-me que você quer que eu lhe mostre alguma habilidade genial escondida nos recônditos do meu bolso, tais como tocar gaita de fole, ou colecionar olhos de vidro, quem sabe ser designer de jóias feitas com dentes de tubarão que eu mate com as próprias mãos e até adestradora de joaninhas. Quem sabe algo que justifique a sua presença efêmera e "ilustre"ao meu lado, uma "reles" mulher normal. De uma certa maneira, eu não ligo. Desde a minha adolescência não perco o meu tempo tentando convencer ninguém de que sou interessante. Mas, por outro lado, fico refletindo se esse combinado entre nós não assemelha-se aos contratos leoninos escritos em letras minúsculas, onde só um dos proponentes é contemplado e não há equanimidade.
Suspeito que minha "invisibilidade"ocorra pelo fato de eu não oferecer nenhum tipo de status agregado. Não alimentar seu ego e seus jogos de retroalimentação. Não representar a musa que seduz seus amigos e todos à volta. Não ser uma princesa delicada nos modos e doce nos gestos.
Eu represento o inesperado. Você não sabe como lidar comigo. E não estou me gabando. Estou constatando.
Seu discurso reforça que você prefere ser refém do mesmo jogo que está habituado. Talvez ele seja assim: conquistar a musa do pedestal, disputar poder com ela, disputá-la com outros, amá-la e perdê-la para outro que às vezes pode ser um amigo.
Quando sabemos o caminho das nossas ações basta reproduzí-las, não é necessário refletir se são genuínas.
No entanto, meu corpo quis ter outras tardes como as daquele dia. Porque o corpo sabe quando o toque é honesto e a experiência é válida. Mas, minha cabeça insiste que não devo estar onde não sou tratada como uma mulher de infinitas possibilidades.
O que nos valoriza é nossa subjetividade, e isso só quem não tem preguiça terá acesso.
Penso que a palavra conhecer pede a presença de outros verbos: arriscar, abrir, observar, tocar, olhar,
cutucar, admirar...andam lado a lado.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
faltou aquele por do sol
o corpo se conecta de uma maneira tão honesta que nenhuma razão consegue explicar. Nele fica impressa a sinceridade que nenhuma palavra dá conta. Não é possível enganar o corpo. Ele se abre por inteiro quando sente prazer e segurança com outro corpo presente, mesmo que as palavras ditas contradigam tanta intimidade.
O corpo sente saudade de quem não deveria e de toda minúcia que o outro carrega: cheiro, hálito, digitais...
Entre os corpos desenha-se um fio imaginário de ligação. Um fio tênue mesmo que aparentemente não se tenha criado nenhum laço de afetividade profunda.
Um ajuntamento estranho que carrega consigo o suspense e o desejo de reencontro. Um encaixe isento de palavras e cheio de respiros, gemidos, fungadas, lambidas e cheiros.
Um corpo que quer a sincronicidade a seu favor para tropeçar no outro, na chuva, em frente a rodoviária. Mesmo sem saber porque.
O corpo sente saudade de quem não deveria e de toda minúcia que o outro carrega: cheiro, hálito, digitais...
Entre os corpos desenha-se um fio imaginário de ligação. Um fio tênue mesmo que aparentemente não se tenha criado nenhum laço de afetividade profunda.
Um ajuntamento estranho que carrega consigo o suspense e o desejo de reencontro. Um encaixe isento de palavras e cheio de respiros, gemidos, fungadas, lambidas e cheiros.
Um corpo que quer a sincronicidade a seu favor para tropeçar no outro, na chuva, em frente a rodoviária. Mesmo sem saber porque.
domingo, 9 de novembro de 2014
Permissividade
existem várias formas de abuso. Alguns acontecem mesmo sem as pessoas perceberem. Eles são inconscientes e permitidos.
Já consenti vários. Mês passado, por exemplo, tive umas horas de prazer com um rapaz que julgava interessante e ele apenas falava de suas aventuras sexuais e amorosas anteriores como se eu fosse uma mera vírgula em sua vida excitante e promissora. O pior é que se repetiu por outras vezes. Qualquer conversa era motivo pra ele ressuscitar suas ex-zumbis-peguétes-paixões-de-fim-de-semana-amores- adolescentes- eternos. Uma sucessão tediosa de desrespeito que parecia um exercício-tentativa de delapidar a minha auto-estima claudicante. Quando era por mensagem, piorava bastante, porque era para eu ler apenas. Para ler calada, pois parecia que ele realmente não lia minhas respostas. Cheguei ao cúmulo de dar conselhos amorosos porque acreditei que seríamos amigos e ele parecia um cara legal. Mas, como ser amigo de alguém que sonega informações sobre si mesmo?! E Creio que só tive acesso a 10 por cento de informações realmente relevantes sobre esse boy. Eu me tornei da noite para o dia uma amiga que o distraía nas horas vagas em que ele sentia solidão. Minha leitura: trata-se de um carente profissional egocêntrico que não se aguenta só e que tem jeito de bonzinho eterno. Um inseguro rapazóla de 30 anos que não tem noção nenhuma desse comportamento que aqui descrevo e que possivelmente continuará reproduzindo.
Acho curioso também que qualquer homem possa propor sexo, apenas pelo prazer do sexo, mas, uma mulher deva ser obrigada a associá-lo sempre a algo mais. Eu não queria amizade, não me entenda mal. Eu propus sexo. Eu fui atrás porque achei ele encantador. Mas, eu não posso querer sexo. Uma mulher querer sexo significa que ela copia os homens, e que consequentemente resultará em um arremedo mal rascunhado e será imediatamente desqualificada.
Fiquei 8 anos com um "bom moço" que me dizia que eu jamais seria uma boa mãe porque eu era "maluca". O "elogio" que eu mais ouvi na vida. Primeiro porque eu tento dizer o que penso sem rodeios e segundo porque penso demais.
Foram tantos abusos que um blog apenas não seria suficiente. O que me faz pensar no cerne da questão: o que posso mudar é a minha atitude. Tenho que diminuir a minha tolerância às ações desprezíveis de cada dia. Tenho que acreditar no meu próprio julgamento. Tenho que confiar na minha intuição.
Já consenti vários. Mês passado, por exemplo, tive umas horas de prazer com um rapaz que julgava interessante e ele apenas falava de suas aventuras sexuais e amorosas anteriores como se eu fosse uma mera vírgula em sua vida excitante e promissora. O pior é que se repetiu por outras vezes. Qualquer conversa era motivo pra ele ressuscitar suas ex-zumbis-peguétes-paixões-de-fim-de-semana-amores- adolescentes- eternos. Uma sucessão tediosa de desrespeito que parecia um exercício-tentativa de delapidar a minha auto-estima claudicante. Quando era por mensagem, piorava bastante, porque era para eu ler apenas. Para ler calada, pois parecia que ele realmente não lia minhas respostas. Cheguei ao cúmulo de dar conselhos amorosos porque acreditei que seríamos amigos e ele parecia um cara legal. Mas, como ser amigo de alguém que sonega informações sobre si mesmo?! E Creio que só tive acesso a 10 por cento de informações realmente relevantes sobre esse boy. Eu me tornei da noite para o dia uma amiga que o distraía nas horas vagas em que ele sentia solidão. Minha leitura: trata-se de um carente profissional egocêntrico que não se aguenta só e que tem jeito de bonzinho eterno. Um inseguro rapazóla de 30 anos que não tem noção nenhuma desse comportamento que aqui descrevo e que possivelmente continuará reproduzindo.
Acho curioso também que qualquer homem possa propor sexo, apenas pelo prazer do sexo, mas, uma mulher deva ser obrigada a associá-lo sempre a algo mais. Eu não queria amizade, não me entenda mal. Eu propus sexo. Eu fui atrás porque achei ele encantador. Mas, eu não posso querer sexo. Uma mulher querer sexo significa que ela copia os homens, e que consequentemente resultará em um arremedo mal rascunhado e será imediatamente desqualificada.
Fiquei 8 anos com um "bom moço" que me dizia que eu jamais seria uma boa mãe porque eu era "maluca". O "elogio" que eu mais ouvi na vida. Primeiro porque eu tento dizer o que penso sem rodeios e segundo porque penso demais.
Foram tantos abusos que um blog apenas não seria suficiente. O que me faz pensar no cerne da questão: o que posso mudar é a minha atitude. Tenho que diminuir a minha tolerância às ações desprezíveis de cada dia. Tenho que acreditar no meu próprio julgamento. Tenho que confiar na minha intuição.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
septicemia
se eu tivesse o poder dos deuses, semideuses e demais criaturas viventes na cabeça do homem, eu moveria forças misteriosas que resultariam em uma gigantesca boca enfeitada com mais de 300 dentes podres, afiados e capazes de infeccionar a mais doce lembrança sobre ela...
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
devidamente cortados
tudo acaba, mas, seus dedos estão no meu corpo ainda. Digitalizada em manchas roxas. Desejo que elas fiquem um pouco mais, então esbarro nas quinas das coisas de propósito. Para assegurar que ficarão mais uns dias, pressiono o indicador e conto até 10. Dói. É bom. Só elas foram sinceras. Só elas merecem ficar.
domingo, 12 de outubro de 2014
autocuidado
hoje eu acordei com vontade de ser boazinha comigo: me arrumo linda em preto para me levar ao cinema como uma mãe zelosa leva seu filho ao parque para o banho de sol diário. Escolho um filme na esperança de ser adequado à minha altura e meu discernimento.
Espero ser legal pra mim até o fim desse dia...sou otimista. Nem sempre me odeio.
Espero ser legal pra mim até o fim desse dia...sou otimista. Nem sempre me odeio.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
sobre o tédio e o fumo
café crème me lembra Búzios. Você disse que as fuma quando quer lembrar de mim e isso me lembra como sou esquecível, tendo em vista que as cigarrilhas já devem ter acabado e sei que você não as comprará novamente.
Enquanto isso, eu fumo uma das que sobraram com o tédio das noites mal dormidas lembrando de quando eu era rica, metida a gringa israelense que sorria e passava o cartão de crédito como se não houvesse amanhã. E desse ponto, penso na minha lápide (se minha família não quiser gastar dinheiro com a cremação) e na frase que eu gostaria de ostentar: "Fui feliz um dia".
domingo, 28 de setembro de 2014
cerevisia
abraçada em uma latinha gelada tento não pensar no tempo de tudo. A vida tornou-se um trava-língua-eterno, um misterioso clichê.
E eu só querendo, por alguns minutos, que as inteligências artificiais dominem tudo e escolham as palavras e os comportamentos mais adequados pra cada situação. Quem sabe esse mundo parece menos estúpido...
E eu só querendo, por alguns minutos, que as inteligências artificiais dominem tudo e escolham as palavras e os comportamentos mais adequados pra cada situação. Quem sabe esse mundo parece menos estúpido...
terça-feira, 9 de setembro de 2014
o extraordinário grão de areia
algumas pessoas esperam encontrar companhias que sejam reluzentes em ideias impressionantes e se mostrem tão únicos quanto os grandes gênios da humanidade. A simplicidade não me parece um item importante na lista de adjetivos almejados pela maioria que busca um partner.
Por uma pessoa simples entenda-se alguém desenrolado, tranquilo, de boa, que deixa a vida entrar suave pelos poros e fluir naturalmente.
Será que existe gente assim de verdade? Gente que não pareça modelo de propaganda de academia de Yoga?!
Por uma pessoa simples entenda-se alguém desenrolado, tranquilo, de boa, que deixa a vida entrar suave pelos poros e fluir naturalmente.
Será que existe gente assim de verdade? Gente que não pareça modelo de propaganda de academia de Yoga?!
domingo, 31 de agosto de 2014
Mun ha
6 itens mofados dentro da geladeira e uma leve falta de apetite resultam em um jantar vergonhoso: 4 pirulitos (dois de abacaxi, 1 de uva e 1 de laranja)...
Enquanto Bukowski se orgulhava de encher a cara de álcool eu não deveria alardear sobre o excesso de açúcar e a minha dificuldade em administrar uma dispensa.
É quase um atestado de incompetência consigo mesma. Bom pra pensar profundo...e mudar tudo de novo.
Enquanto Bukowski se orgulhava de encher a cara de álcool eu não deveria alardear sobre o excesso de açúcar e a minha dificuldade em administrar uma dispensa.
É quase um atestado de incompetência consigo mesma. Bom pra pensar profundo...e mudar tudo de novo.
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