terça-feira, 5 de outubro de 2010

Qbôa

agora, vou unir todas as cores nesse branco de água sanitária. As letras continuam negras como quando se apaga a luz. Desse modo, não fico cega nem pelo excesso e nem pela falta de iluminação. Minha vida está desse jeito, sem dramas, preparada para o tombo, tendo em vista que não me vejo construindo fantasias com relação a nada. Daí, te ver de mãos dadas com outra, não me choca, mas, me remete a quando você segurava minha mão. Tentei lembrar da temperatura, da cor, do suor e aí doeu. Porque esse esforço veio acompanhado de cheiros e tudo mais...Me permiti essa leve tortura que só acontece quando se trata de um desses amores adormecidos. Eu quis te dizer "seja feliz" , só que eu não quero nem "desquero" isso...Meu desejo é que você não cruze mais o meu caminho e que minha vida continue assim, branca com letras negras boiando nesse mar de incertezas deliciosas.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

tássia megalomaníaca

com a cabeça enfiada no umbigo me pergunto se sou uma pessoa apresentável. Eu não quero ser apresentável. Quero superar todas as expectativas e achincalhar o mundo com uma imprevisibilidade hedionda.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

debaixo do sofá

ainda bem que eu moro ao lado do samba e não ao lado do rock. Isso permite que eu não me consuma em drogas lícitas e vire mais um zumbi da 14. No entanto, esse som de chorinho me faz lembrar minha ex aliança de casamento voando pela janela em câmera lentíssima. Ela foi comprada com a venda de uma flauta transversal que tocou muito Chiquinha Gonzaga e outros choros xaropes. A história é românticamente mexicana e bela. Quem terá achado a aliança com as juras falecidas? Para onde vão tantas promessas? Elas ficam nos mesmos lugares que os pares de meias solitários? Que as borrachas perdidas? Os grampos enferrujados? As tampas de canetas bic? As coisas inúteis?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

aorta

um colega noivo, meio cínico, e pelo visto, meio burro, veio questionar a afirmação que eu tinha acabado de proferir depois de uns goles de cachaça da casa. Falei que só o amor não bastava para duas pessoas ficarem juntas. Quase todo mundo sabe disso, mas, ele me olhou como se eu fosse algum tipo de oráculo, talvez, julgando que eu soubesse a resposta, por ter ficado tantos anos nesse estado de espírito. Sorri e completei: se você não sabe disso, está em maus lençóis.Clichê. É tão engraçado...toda mesa que eu sento tem sempre alguém que me usa como fonte de pesquisa para assuntos desse nível. Piada do universo. Enquanto isso, vou deslizando nas ruas do crime, atravessando incólume. Meu coração hiberna junto com o Zé Colméia na floresta de Jellystone.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

mirante

à direita bate um sol fininho e cáustico, à esquerda a mãe alisa as mãos e os punhos rapidamente nas mãos da filha meio cega e meio muda. Os gestos ficam cada vez mais elaborados e ligeiros. A conversa segue animada. Quero entender o que se passa, então fico futricando com meus olhos assimétricos esbugalhando tudo ao redor. O mundo anda me encantando de um jeito...a cena continua. A doçura e o cuidado me fazem pensar na minha mãe. Ela não é doce. O que estará fazendo agora? Minha mãe é um mistério insolucionável.