sábado, 6 de abril de 2013
é assim
Migala - Gurb Song
Eu queria alguém que entrasse em minha vida como um pássaro que entra em uma cozinha
E começa a quebrar coisas e se bater contra portas e janelas
Deixando caos e destruição.
Por isso foi que eu aceitei os beijos dela como alguém que recebe um panfleto no metrô.
Eu sabia, não me pergunte por que ou como, que dividiríamos até nossa pasta de dente.
Nós fomos nos conhecendo acariciando as cicatrizes um do outro
Evitando chegar perto demais, saber coisas demais.
Queríamos que a felicidade fosse tipo um vírus que alcança cada espacinho em um corpo doente
Eu transformei minha casa em uma cama d´água e os peitos dela em castelos de areia escura
ELa me deu suas metáforas, suas garrafas de gim, sua coleção de selos da África do Norte.
À noite nós falávamos em sonhos, um de costas pro outro, e sempre, sempre, concordávamos.
Os lençóis eram tão nossa pele que paramos de ir pro trabalho.
O amor virou um homenzarrão forte ao nosso lado, terrivelmente útil, um grande mentiroso, com olhos imensos e lábios vermelhos.
Ela fez com que eu me sentisse novo em folha.
Eu assisti enquanto ela enlouquecia, perdia a linha, ouvíamos Nick Drake em seu toca-fitas e ela me disse que era escritora.
Eu li seu livro em duas horas e meia e chorei do começo ao fim, como se estivesse vendo Bambi.
Ela me disse que quando eu pensasse que ela já tinha me amado tudo o que podia, ela me amaria um pouco mais.
Meu ego e seu cinismo realmente se deram muito bem e dizíamos "o que você faria se eu morresse" ou "e se eu pegasse Aids?" ou "você não gosta dos Smiths?", ou "vamos transar agora". Deixamos nossas digitais por todo o meu quarto, o café da manhã era automaticamente preparado, e se ele viesse para a cama em um carrinho, sem mãos, competíamos para ver quem teria os melhores orgasmos, as melhores visões, as maiores ressacas. E se ela engravidasse decidimos que teria sido culpa das mãos de Deus.
O mundo era nossa ostra.
A vida era vida.
Mas então ela teve de voltar para Londres para ver seu namorado e sua família e seus melhores amigos e seu bichinho chamado Gus.
E sem ela eu estou horrível. Pintei minhas unhas de preto e cortei meu cabelo.
Abri minha coleção de fotos e nosso passado pode não ter limites e eu sei que o processo é cortar cada seção da minha história cada vez mais fininho até que eu fique apenas com ela, me sinto uma merda o tempo todo não importa quem eu beije ou quanto charme eu tente jogar em meus novos pássaros.
Esta é a questão, não é? Novos pássaros que me projetarão por um fio do subsolo para o ar, para o mundo...
quarta-feira, 3 de abril de 2013
terça-feira, 2 de abril de 2013
...
não tenho carro por opção. Não tenho t.v por opção. E só tenho celular porque ainda não é possível viver sem ele. Tento sempre que minhas ações sejam coerentes com as minhas ideias, mas, minha ''humanidade demasiadamente humana" me faz, invariavelmente, falhar. Não faço isso pra ser aceita em um grupo, ou pra ser musa inatingível de algum desocupado. Faço, porque daí resulta minha integridade. Cada vez mais luto pra ser autêntica sem ser agressiva ou julgadora, nem sempre consigo.
Quero, que a mesma liberdade, pela qual eu luto seja de usufruto coletivo. Isso me bastaria, não fossem todos os meus sonhos.
Finalmente, é importante que se saiba que não preciso acreditar na ''verdade" do outro para que ela seja verdade. Basta que o outro acredite. Fé é experiência individual e intransferível e deve ser respeitada, não tolerada. Não importa se é fé em Buda, na cotação do dólar ou em absolutamente NADA. Posso, apenas, me reservar o direito de no íntimo achar tudo ilegítimo, contudo, em nenhum momento terei o direito de desqualificá-lo. Salvo quando for um tipo de fé que exclui ou invade direitos básicos.
Enfim, desejo que as ironias, acusações, frases engessadas e violências sejam sempre palavras cuspidas sem direção. E que o peito aberto pra uma nova vida seja via de regra pra cada amanhecer.
Quero, que a mesma liberdade, pela qual eu luto seja de usufruto coletivo. Isso me bastaria, não fossem todos os meus sonhos.
Finalmente, é importante que se saiba que não preciso acreditar na ''verdade" do outro para que ela seja verdade. Basta que o outro acredite. Fé é experiência individual e intransferível e deve ser respeitada, não tolerada. Não importa se é fé em Buda, na cotação do dólar ou em absolutamente NADA. Posso, apenas, me reservar o direito de no íntimo achar tudo ilegítimo, contudo, em nenhum momento terei o direito de desqualificá-lo. Salvo quando for um tipo de fé que exclui ou invade direitos básicos.
Enfim, desejo que as ironias, acusações, frases engessadas e violências sejam sempre palavras cuspidas sem direção. E que o peito aberto pra uma nova vida seja via de regra pra cada amanhecer.
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| Fab Ciraolo |
sábado, 30 de março de 2013
"Ser amado é ser finalmente visto" Fabricio Carpinejar
eu sempre pensei sobre isso, mas, nunca consegui sintetizar de maneira tão clara.
Ser visto com uma lupa dói... eu me sinto como se alguém enfiasse o dedo na minha carne aberta e encontrasse partes vermelhas e suculentas e outras em estado avançado de decadência... daí, bem no meio desse escrutínio amoroso, espalmasse meu coração faminto e assassino e, ainda assim, me admirasse e me quisesse ao seu lado.
quinta-feira, 28 de março de 2013
domingo, 17 de março de 2013
assim
GISELE DE SANTI - E EU
Você querendo só canção e eu inventei um estilo
Você arrasou meu quarteirão e eu construindo um edifício
Você arrasou meu quarteirão e eu construindo um edifício
Amor, você judiou, e eu?
Amor, quem tropeçou fui eu
Amor, quem tropeçou fui eu
Você ficando só no muro e eu caminhando em círculos
Você é futuro que passou e eu vivendo de particípio
Você é futuro que passou e eu vivendo de particípio
Amor, você brincou, e eu?
Amor, 'cê amargou meu eu
Amor, 'cê amargou meu eu
sábado, 16 de março de 2013
pequeno inventário de delicadezas diárias
delicadeza, assim como quase tudo, é artigo pessoal e raro. Eu queria muito ter uma visão além do alcance, dessas que não deixam escapar nem a menor das delicadezas do mundo. E hoje, entre obrigações eternas e a pintura quinzenal dos meus cabelos, fiquei extasiada (como sempre fico) quando a tinta sangrenta escorreu em jatos no tanque branco. Dra-ma-ti-ca-men-te respingando em tudo. É um acontecimento... De uma suavidade macabra. Nunca fica da cor que eu quero, mas, o suspense e a explosão vermelha na minha cara, já valem o dia.
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