sexta-feira, 28 de março de 2014

venoso

pulsa o azul asfixiante nesses tempos estranhos. Tinge o peito, feito aquarela e leva a última gota de ar dos amantes.
Reza teu Deus. Pede. Implora. Nada há de salvar quem não toma pra si o agir.  Lê teus romances. Malha teu Judas. Mugi a última letra do teu alfabeto moribundo. Finge e canta esse teu caminhar morno. Leva pra longe esse teu descaso que a vida já está por demais ciano.

segunda-feira, 24 de março de 2014

March

existe um vento único, filho das manhãs de outono...de todos,  o que eu mais prezo. É vento de invasão, que limpa até os cantos das unhas, faz ranger os cabelos e penteia os ossos. De um frescor eterno e carregado de uma dúvida fabulosa, canta o que está por vir...

segunda-feira, 17 de março de 2014

em linha torta

faz uns 5 anos pelo menos, que eu não me interesso por alguém de maneira encantada, dessas que quer desvendar, que quer deixar um bicho-presente-morto na porta pra agradar. Dessas que não dão medo, porque de um jeito estranho você CONFIA ( sem saber muito o que te move). Não enxerga complicações porque  intui que tem algo ali, esperando estranhamente por você. Entende que desses lugares obscuros, de repente, surgem beijos que liquefazem o corpo e esfriam o estômago.

quinta-feira, 13 de março de 2014

clara est la nuit

existe uma calma solene que se confunde com frieza e distanciamento...um engolir lento, uma respiração suave e regular... Uma linha reta longe, fixa, que executa apenas sua função de criar profundidade à cena...a certeza cruel e boa de que nada escapa sem que haja uma função...uma segurança impenetrável, quase tola, tão fulgaz... dura um suspiro.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

"tratado" acerca dos excrementos

cuspir, vomitar e fazer gargarejo com coisas estranhas, são hábitos nojentos que me salvam. Hábitos que deveriam ser inconfessáveis.  Mas, fico pensando em meus sobrinhos, quando forem adultos e eu, a tia morta e louca... Afinal, isso aqui é um pequeno museu de mim. Um museu de pequenas recordações. Sórdidas, tristes ou iníquas. Algumas felizes. Quero que eles saibam que eu fui uma mulher sem modos. Uma selvagem. Livre até para ser mal educada, se assim o quisesse. 
Eu, que poderia ser uma fábrica de catarro, haja visto o tanto de derivados do leite que eu consumo. Lactose me mata. Mas, me mata menos do que comer bicho morto. Comer cadáveres de outros animais não é pra mim. Não é da minha natureza. Nunca foi. Sinto falta de comer peixes, é bem verdade. Minha fraqueza. Eu aceito isso. Tremo de pensar na moqueca de peixe do meu Pai... E tem comida japonesa... 
Mas, tudo é uma questão de costume... E de escolhas. Gostaria de ter o mesmo discernimento e disciplina em outros aspectos de minha vida...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Oi, 2014

meu sorriso é um risco. Lábios fechados e ariscos pra qualquer tipo de ilusão. Nas laterais escorre um fio de mel que pinga ininterruptamente e me lembra que o amor, a luxúria e a festa serão sempre bem-vindos e nunca importará nenhum tipo de julgamento.
Não há frustração que me mate, não há morte que me apague. Não há situação que eu não possa, nem lágrima que me afogue. Nenhum abandono me definhará. Pois, quem cuida de mim é o mistério.
Minha armadura: a alegria, minha liberdade: o guia, minha espada: a intuição. Sou tão forte quanto fraca. Consciência: sempre rainha. Saúde: minha lei.
Minha fé é onda de mar, ora vai, ora vem, mas, me banha sempre em abundância.
Amém.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

abertura anterior ao tubo digestivo dos animais e onde inicia-se o processo da digestão no homem. Geralmente localiza-se na parte frontal da cabeça do animal.

ele abriu a janela e uma gota gorda caiu certeira no vão que separa meus seios. O gelado desceu arrepiando e caiu redondo no umbigo achatado. Mas,  eu queria mesmo era a boca dele fazendo o exato percurso...