quinta-feira, 9 de outubro de 2014
sobre o tédio e o fumo
café crème me lembra Búzios. Você disse que as fuma quando quer lembrar de mim e isso me lembra como sou esquecível, tendo em vista que as cigarrilhas já devem ter acabado e sei que você não as comprará novamente.
Enquanto isso, eu fumo uma das que sobraram com o tédio das noites mal dormidas lembrando de quando eu era rica, metida a gringa israelense que sorria e passava o cartão de crédito como se não houvesse amanhã. E desse ponto, penso na minha lápide (se minha família não quiser gastar dinheiro com a cremação) e na frase que eu gostaria de ostentar: "Fui feliz um dia".
domingo, 28 de setembro de 2014
cerevisia
abraçada em uma latinha gelada tento não pensar no tempo de tudo. A vida tornou-se um trava-língua-eterno, um misterioso clichê.
E eu só querendo, por alguns minutos, que as inteligências artificiais dominem tudo e escolham as palavras e os comportamentos mais adequados pra cada situação. Quem sabe esse mundo parece menos estúpido...
E eu só querendo, por alguns minutos, que as inteligências artificiais dominem tudo e escolham as palavras e os comportamentos mais adequados pra cada situação. Quem sabe esse mundo parece menos estúpido...
terça-feira, 9 de setembro de 2014
o extraordinário grão de areia
algumas pessoas esperam encontrar companhias que sejam reluzentes em ideias impressionantes e se mostrem tão únicos quanto os grandes gênios da humanidade. A simplicidade não me parece um item importante na lista de adjetivos almejados pela maioria que busca um partner.
Por uma pessoa simples entenda-se alguém desenrolado, tranquilo, de boa, que deixa a vida entrar suave pelos poros e fluir naturalmente.
Será que existe gente assim de verdade? Gente que não pareça modelo de propaganda de academia de Yoga?!
Por uma pessoa simples entenda-se alguém desenrolado, tranquilo, de boa, que deixa a vida entrar suave pelos poros e fluir naturalmente.
Será que existe gente assim de verdade? Gente que não pareça modelo de propaganda de academia de Yoga?!
domingo, 31 de agosto de 2014
Mun ha
6 itens mofados dentro da geladeira e uma leve falta de apetite resultam em um jantar vergonhoso: 4 pirulitos (dois de abacaxi, 1 de uva e 1 de laranja)...
Enquanto Bukowski se orgulhava de encher a cara de álcool eu não deveria alardear sobre o excesso de açúcar e a minha dificuldade em administrar uma dispensa.
É quase um atestado de incompetência consigo mesma. Bom pra pensar profundo...e mudar tudo de novo.
Enquanto Bukowski se orgulhava de encher a cara de álcool eu não deveria alardear sobre o excesso de açúcar e a minha dificuldade em administrar uma dispensa.
É quase um atestado de incompetência consigo mesma. Bom pra pensar profundo...e mudar tudo de novo.
sábado, 2 de agosto de 2014
voltar rapidamente para algo
hoje, passeando e bebendo sol, lembrei de um dia em que eu estava descalça, com um sapato em cada mão e você disse: "cuidado, pode ter escorpião escondido embaixo das folhas secas. Coloca o sapato, vai". Me deu saudade enorme do teu amor torto e confuso que enjoa em 5 minutos e passa a amar outras/os, porque a mim, de repente, perdeu a graça.
Daí, pensei que eu te beijaria lentamente só pra conferir se no gosto da tua saliva tem alguma gota-memória de mim, porque: sim, eu quis você alí, ao meu lado, às 10 da manhã
Daí, pensei que eu te beijaria lentamente só pra conferir se no gosto da tua saliva tem alguma gota-memória de mim, porque: sim, eu quis você alí, ao meu lado, às 10 da manhã
sábado, 12 de julho de 2014
ouro de tolo
penso que um coração falido e inconsciente é aquele que só quer o outro um casulo oco impregnado de um belo verniz, assim sendo, mero objeto de desejo, dominação e atenção.
A esse exercício de poder costumam denominar amor.
O outro (animal caçado) só lhe serve enquanto um "coração (?!)" ainda não capturado. Por outro lado, o ato de apaixonar-se torna essa mesma presa: refém, logo, desinteressante.
Mas, se um segundo predador aparece, a presa volta a ser atraente, desse modo, motivo de competição, resulta num trofeuzinho, ainda que finja que não, (frágil e a mercê dos humores alheios) até que algo mais interessante apareça.
A mim essa dinâmica arcaica e doente já não interessa faz tempo, simplesmente porque não evolui e trata ambos participantes como seres ordinários e substituíveis.
Não existe algo além? Sagrado e desprovido de ilusões em que a entrega não decorra de um acordo leonino, escrito em letras minúsculas onde apenas um será beneficiado? Não existe relação onde seja possível viver sem acusações, mágoas, adestramentos e artificialismos?
Minha utopia é um amor justo e nesse sentido livre. Um amor que abraça, inclusive, a inexistência.
A esse exercício de poder costumam denominar amor.
O outro (animal caçado) só lhe serve enquanto um "coração (?!)" ainda não capturado. Por outro lado, o ato de apaixonar-se torna essa mesma presa: refém, logo, desinteressante.
Mas, se um segundo predador aparece, a presa volta a ser atraente, desse modo, motivo de competição, resulta num trofeuzinho, ainda que finja que não, (frágil e a mercê dos humores alheios) até que algo mais interessante apareça.
A mim essa dinâmica arcaica e doente já não interessa faz tempo, simplesmente porque não evolui e trata ambos participantes como seres ordinários e substituíveis.
Não existe algo além? Sagrado e desprovido de ilusões em que a entrega não decorra de um acordo leonino, escrito em letras minúsculas onde apenas um será beneficiado? Não existe relação onde seja possível viver sem acusações, mágoas, adestramentos e artificialismos?
Minha utopia é um amor justo e nesse sentido livre. Um amor que abraça, inclusive, a inexistência.
sábado, 5 de julho de 2014
(entregue-se)
abro teu peito a unha
deposito meu coração
Junto ao seu, agora, reordenam-se
Veias pulsam em ritmo justo
somos um, mas, sabemos: somos Dois
Viveríamos ambos sem esse amor
contudo, vivendo-o somos mais fortes,
enfim.
deposito meu coração
Junto ao seu, agora, reordenam-se
Veias pulsam em ritmo justo
somos um, mas, sabemos: somos Dois
Viveríamos ambos sem esse amor
contudo, vivendo-o somos mais fortes,
enfim.
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