depois daquele dia, me perguntei quem é você quando está só. Devo confessar que desejei estar perto pra te olhar sem ser vista (evidentemente). De uma certa maneira, isso já acontece: quando estou com você, tenho a impressão de que não sou vista e que você está sempre esperando que algo mais interessante ocorra nas redondezas para poder sair correndo sem que te julguem um canalha.
Seu rosto transparece uma espera. Parece-me que você quer que eu lhe mostre alguma habilidade genial escondida nos recônditos do meu bolso, tais como tocar gaita de fole, ou colecionar olhos de vidro, quem sabe ser designer de jóias feitas com dentes de tubarão que eu mate com as próprias mãos e até adestradora de joaninhas. Quem sabe algo que justifique a sua presença efêmera e "ilustre"ao meu lado, uma "reles" mulher normal. De uma certa maneira, eu não ligo. Desde a minha adolescência não perco o meu tempo tentando convencer ninguém de que sou interessante. Mas, por outro lado, fico refletindo se esse combinado entre nós não assemelha-se aos contratos leoninos escritos em letras minúsculas, onde só um dos proponentes é contemplado e não há equanimidade.
Suspeito que minha "invisibilidade"ocorra pelo fato de eu não oferecer nenhum tipo de status agregado. Não alimentar seu ego e seus jogos de retroalimentação. Não representar a musa que seduz seus amigos e todos à volta. Não ser uma princesa delicada nos modos e doce nos gestos.
Eu represento o inesperado. Você não sabe como lidar comigo. E não estou me gabando. Estou constatando.
Seu discurso reforça que você prefere ser refém do mesmo jogo que está habituado. Talvez ele seja assim: conquistar a musa do pedestal, disputar poder com ela, disputá-la com outros, amá-la e perdê-la para outro que às vezes pode ser um amigo.
Quando sabemos o caminho das nossas ações basta reproduzí-las, não é necessário refletir se são genuínas.
No entanto, meu corpo quis ter outras tardes como as daquele dia. Porque o corpo sabe quando o toque é honesto e a experiência é válida. Mas, minha cabeça insiste que não devo estar onde não sou tratada como uma mulher de infinitas possibilidades.
O que nos valoriza é nossa subjetividade, e isso só quem não tem preguiça terá acesso.
Penso que a palavra conhecer pede a presença de outros verbos: arriscar, abrir, observar, tocar, olhar,
cutucar, admirar...andam lado a lado.
sábado, 6 de dezembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
faltou aquele por do sol
o corpo se conecta de uma maneira tão honesta que nenhuma razão consegue explicar. Nele fica impressa a sinceridade que nenhuma palavra dá conta. Não é possível enganar o corpo. Ele se abre por inteiro quando sente prazer e segurança com outro corpo presente, mesmo que as palavras ditas contradigam tanta intimidade.
O corpo sente saudade de quem não deveria e de toda minúcia que o outro carrega: cheiro, hálito, digitais...
Entre os corpos desenha-se um fio imaginário de ligação. Um fio tênue mesmo que aparentemente não se tenha criado nenhum laço de afetividade profunda.
Um ajuntamento estranho que carrega consigo o suspense e o desejo de reencontro. Um encaixe isento de palavras e cheio de respiros, gemidos, fungadas, lambidas e cheiros.
Um corpo que quer a sincronicidade a seu favor para tropeçar no outro, na chuva, em frente a rodoviária. Mesmo sem saber porque.
O corpo sente saudade de quem não deveria e de toda minúcia que o outro carrega: cheiro, hálito, digitais...
Entre os corpos desenha-se um fio imaginário de ligação. Um fio tênue mesmo que aparentemente não se tenha criado nenhum laço de afetividade profunda.
Um ajuntamento estranho que carrega consigo o suspense e o desejo de reencontro. Um encaixe isento de palavras e cheio de respiros, gemidos, fungadas, lambidas e cheiros.
Um corpo que quer a sincronicidade a seu favor para tropeçar no outro, na chuva, em frente a rodoviária. Mesmo sem saber porque.
domingo, 9 de novembro de 2014
Permissividade
existem várias formas de abuso. Alguns acontecem mesmo sem as pessoas perceberem. Eles são inconscientes e permitidos.
Já consenti vários. Mês passado, por exemplo, tive umas horas de prazer com um rapaz que julgava interessante e ele apenas falava de suas aventuras sexuais e amorosas anteriores como se eu fosse uma mera vírgula em sua vida excitante e promissora. O pior é que se repetiu por outras vezes. Qualquer conversa era motivo pra ele ressuscitar suas ex-zumbis-peguétes-paixões-de-fim-de-semana-amores- adolescentes- eternos. Uma sucessão tediosa de desrespeito que parecia um exercício-tentativa de delapidar a minha auto-estima claudicante. Quando era por mensagem, piorava bastante, porque era para eu ler apenas. Para ler calada, pois parecia que ele realmente não lia minhas respostas. Cheguei ao cúmulo de dar conselhos amorosos porque acreditei que seríamos amigos e ele parecia um cara legal. Mas, como ser amigo de alguém que sonega informações sobre si mesmo?! E Creio que só tive acesso a 10 por cento de informações realmente relevantes sobre esse boy. Eu me tornei da noite para o dia uma amiga que o distraía nas horas vagas em que ele sentia solidão. Minha leitura: trata-se de um carente profissional egocêntrico que não se aguenta só e que tem jeito de bonzinho eterno. Um inseguro rapazóla de 30 anos que não tem noção nenhuma desse comportamento que aqui descrevo e que possivelmente continuará reproduzindo.
Acho curioso também que qualquer homem possa propor sexo, apenas pelo prazer do sexo, mas, uma mulher deva ser obrigada a associá-lo sempre a algo mais. Eu não queria amizade, não me entenda mal. Eu propus sexo. Eu fui atrás porque achei ele encantador. Mas, eu não posso querer sexo. Uma mulher querer sexo significa que ela copia os homens, e que consequentemente resultará em um arremedo mal rascunhado e será imediatamente desqualificada.
Fiquei 8 anos com um "bom moço" que me dizia que eu jamais seria uma boa mãe porque eu era "maluca". O "elogio" que eu mais ouvi na vida. Primeiro porque eu tento dizer o que penso sem rodeios e segundo porque penso demais.
Foram tantos abusos que um blog apenas não seria suficiente. O que me faz pensar no cerne da questão: o que posso mudar é a minha atitude. Tenho que diminuir a minha tolerância às ações desprezíveis de cada dia. Tenho que acreditar no meu próprio julgamento. Tenho que confiar na minha intuição.
Já consenti vários. Mês passado, por exemplo, tive umas horas de prazer com um rapaz que julgava interessante e ele apenas falava de suas aventuras sexuais e amorosas anteriores como se eu fosse uma mera vírgula em sua vida excitante e promissora. O pior é que se repetiu por outras vezes. Qualquer conversa era motivo pra ele ressuscitar suas ex-zumbis-peguétes-paixões-de-fim-de-semana-amores- adolescentes- eternos. Uma sucessão tediosa de desrespeito que parecia um exercício-tentativa de delapidar a minha auto-estima claudicante. Quando era por mensagem, piorava bastante, porque era para eu ler apenas. Para ler calada, pois parecia que ele realmente não lia minhas respostas. Cheguei ao cúmulo de dar conselhos amorosos porque acreditei que seríamos amigos e ele parecia um cara legal. Mas, como ser amigo de alguém que sonega informações sobre si mesmo?! E Creio que só tive acesso a 10 por cento de informações realmente relevantes sobre esse boy. Eu me tornei da noite para o dia uma amiga que o distraía nas horas vagas em que ele sentia solidão. Minha leitura: trata-se de um carente profissional egocêntrico que não se aguenta só e que tem jeito de bonzinho eterno. Um inseguro rapazóla de 30 anos que não tem noção nenhuma desse comportamento que aqui descrevo e que possivelmente continuará reproduzindo.
Acho curioso também que qualquer homem possa propor sexo, apenas pelo prazer do sexo, mas, uma mulher deva ser obrigada a associá-lo sempre a algo mais. Eu não queria amizade, não me entenda mal. Eu propus sexo. Eu fui atrás porque achei ele encantador. Mas, eu não posso querer sexo. Uma mulher querer sexo significa que ela copia os homens, e que consequentemente resultará em um arremedo mal rascunhado e será imediatamente desqualificada.
Fiquei 8 anos com um "bom moço" que me dizia que eu jamais seria uma boa mãe porque eu era "maluca". O "elogio" que eu mais ouvi na vida. Primeiro porque eu tento dizer o que penso sem rodeios e segundo porque penso demais.
Foram tantos abusos que um blog apenas não seria suficiente. O que me faz pensar no cerne da questão: o que posso mudar é a minha atitude. Tenho que diminuir a minha tolerância às ações desprezíveis de cada dia. Tenho que acreditar no meu próprio julgamento. Tenho que confiar na minha intuição.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
septicemia
se eu tivesse o poder dos deuses, semideuses e demais criaturas viventes na cabeça do homem, eu moveria forças misteriosas que resultariam em uma gigantesca boca enfeitada com mais de 300 dentes podres, afiados e capazes de infeccionar a mais doce lembrança sobre ela...
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
devidamente cortados
tudo acaba, mas, seus dedos estão no meu corpo ainda. Digitalizada em manchas roxas. Desejo que elas fiquem um pouco mais, então esbarro nas quinas das coisas de propósito. Para assegurar que ficarão mais uns dias, pressiono o indicador e conto até 10. Dói. É bom. Só elas foram sinceras. Só elas merecem ficar.
domingo, 12 de outubro de 2014
autocuidado
hoje eu acordei com vontade de ser boazinha comigo: me arrumo linda em preto para me levar ao cinema como uma mãe zelosa leva seu filho ao parque para o banho de sol diário. Escolho um filme na esperança de ser adequado à minha altura e meu discernimento.
Espero ser legal pra mim até o fim desse dia...sou otimista. Nem sempre me odeio.
Espero ser legal pra mim até o fim desse dia...sou otimista. Nem sempre me odeio.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
sobre o tédio e o fumo
café crème me lembra Búzios. Você disse que as fuma quando quer lembrar de mim e isso me lembra como sou esquecível, tendo em vista que as cigarrilhas já devem ter acabado e sei que você não as comprará novamente.
Enquanto isso, eu fumo uma das que sobraram com o tédio das noites mal dormidas lembrando de quando eu era rica, metida a gringa israelense que sorria e passava o cartão de crédito como se não houvesse amanhã. E desse ponto, penso na minha lápide (se minha família não quiser gastar dinheiro com a cremação) e na frase que eu gostaria de ostentar: "Fui feliz um dia".
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